quinta-feira, 31 de março de 2011

quarta-feira, 30 de março de 2011

Doutor Lula da Silva

O antigo presidente brasileiro, José Lula da Silva, doutorou-se, hoje, na Universidade de Coimbra. Dei por mim a pensar que o programa de entrada no Ensino Superior para maiores de 23 anos funciona mesmo...

terça-feira, 29 de março de 2011

Cerimónia do 25 de Abril cancelada no Parlamento em 2011

Segundo o site online do Público, a tradicional cerimónia de comemoração do aniversário do 25 de Abril foi, este ano, cancelada...

Será que, tal como preconizou Manuela Ferreira Leite, terão início os seis meses de interrupção da democracia?...

segunda-feira, 28 de março de 2011

Um país a ir ao fundo?

Hoje lembrei-me de uma frase que ouvi num programa de TV (Portugal, meu amor do jornalista Hugo Gonçalves) que adquire, nos últimos tempos, ainda mais sentido...

Dizia, há um ano ou dois, o jornalista que valeria a pena comprar uma casa perto da fronteira, do lado espanhol, para que, quando Portugal fosse ao fundo, se pudesse ter uma linda vista sobre o mar...

Acho que chegou a hora de uma visita imobiliária a Badajoz? Mais sugestões de destino? Alguém alinha num investimento num condomínio?...

Se o tiro nos pés...

... fosse uma modalidade desportiva, o palmarés do Sporting aumentaria mais que os juros da dívida pública portuguesa.

Eleições e mais eleições...

Porque é que me parece que a forma como decorreram as eleições no Sporting foi, apenas, um aperitivo para as próximas eleições legislativas?...

domingo, 27 de março de 2011

Merda!

To Jamor or not to Jamor...

Em contagem descrescente para o jogo do ano... Académica a um passo da final da Taça de Portugal e da Liga Europa. Ou por outras palavras, o dia em que psilipe pode concretizar dois dos sonhos que comandam a sua vida...

Sim. Estou a ficar ansioso.

sábado, 26 de março de 2011

"Estou concentradíssimo..."



Parece-me que, no vídeo, quando o Futre refere, por várias vezes, "a nossa linha" quereria referir "a minha linha" e não seria, propriamente, uma alusão à orientação desportiva do clube...

Carlos Queiroz não rima com controlo de impulsos...

Quem é que tinha razão relativamente ao Carlos Queiroz*, quem era? Começa por p, acaba em e e tem a palavra silip no meio...

Será que fui só eu que reparei que o Queiroz, quando activa o seu sotaque brasileiro, se assemelha imenso ao Scolari?... Nada corre bem a este homem.~



* Quando vejo o Carlos Queiroz nestas figuras, sinto sempre uma estranha nostalgia do senhor simpático de bigode e fato de treino que treinava os juniores há vinte anos atrás... Nunca acredito que é a mesma pessoa.

Desafio parental do dia - 26 de Março de 2011

Como ensinar ao meu rebento que a comida da Siena não é, propriamente, uma espécie de snack que se possa comer às mãos cheias...

Cigana Ariana?

Hoje, numa deambulação pela Internet, reparei que o jogador da bola Ricardo Quaresma rejeitou assumir a paternidade de uma criança chamada Ariana. Faz sentido.

sexta-feira, 25 de março de 2011

As declarações do nosso Presidente da República sobre a recente crise política...

"


                                                                                                                                                              


                                                                                                                                                                   "

quarta-feira, 23 de março de 2011

Porreiro, pá?!

Ou então, não!

Dei por mim, numa das minhas crónicas quasi-madrugadas sem sono que consomem os meus saturados neurónios, a concluir que todos os protestos da Geração à Rasca* (que acho que é a minha) pecaram pela falta de solidariedade com o nosso Primeiro Ministro, José Sócrates Pinto de Sousa...

É que, no fundo, o senhor está numa situação mais precária do que grande parte dos manifestantes à rasca... Vejamos... tecnicamente responde perante dez milhões de patrões (o que só pode dar dores de cabeça...), não tem vínculo estável ao País mesmo exercendo funções permanentes, é muito mal remunerado face à complexidade das suas funções (comparando com os seus subalternos gestores públicos...) e, no fundo, estudou arduamente na Universidade Independente para poder passar a ser mais uma vítima da precariedade do próprio País.

Passaremos a ter mais um rosto para a precariedade, já amanhã?!


* Ando a congeminar, desde o dia 5 de Março, um post sobre esta coisa da Geração à Rasca... Lá chegarei, quando as ideias se clarificarem...

domingo, 20 de março de 2011

Pensando bem...

Esta história dos bombardeamentos em Tripoli faz com que a expressão "até a barraca abana" faça todo o sentido... Certo, Coronel?

Já nasceu...

... o novo membro da família! Mas ainda está na Maternidade...

Sensação de déjà vu....

Imagens de disparos flamejantes pelos céus da capital de um país dominado por um tirano psicótico, enquanto um senhor de cabelo armado dirime argumentos sobre o alcance dos mísseis Tomahawk e sobre as características das "anti-aéreas"...

19 de Março de 2011 - II

Ontem recebemos os papéis do Censos 2011. Tenho uma memória muito viva do Censos de 1991, quando contava a bela soma de nove anos de existência, e das cruzes que via serem feitas nos formulários. Lembro-me de atentar na sucessão de perguntas  e respostas e na forma como os "grandes" traduziam a sua vida num conjunto de papéis. Vinte anos depois, cabe-me a mim preenchê-los, em nome próprio...

19 de Março de 2011: o dia em que recebo prendas da creche e em que o Instituto Nacional de Estatística me pede para descrever a vida da minha família...

É impressão minha ou a aproximação dos trinta está a confundir uma certa pessoa?...

19 de Março de 2011 - I

Foi o dia em que, pela segunda vez consecutiva, o Dia do Pai voltou a ser bom.

sábado, 19 de março de 2011

Por favor não incomodar...

... nos próximos sessenta minutos. Estarei a assistir a um velório em directo do Alvalade XXI.

domingo, 13 de março de 2011

"Gerações à rasca"

Com a devida vénia ao autor, Manuel Poppe, aqui fica uma interessante reflexão sobre o pós 12 de Março...




Gerações à Rasca


Havia a juventude e os outros.


Porque todos estamos à rasca.


Pertencemos a uma sociedade que não nos reconhece.


Ou nos vê de duas maneiras:


é desnecessária a nossa existência,


somos úteis enquanto escravos.


O governo vai apresentar novas medidas de austeridade.


Não terá informado o Presidente da República.


Institucionalmente, talvez tenha sido um erro


E digo “talvez” porque não sei.


Eticamente, fez bem.


Cavaco é um dos maiores responsáveis pelo desastre que vivemos e nem sequer é capaz de corrigir erros: é um medíocre mental.


À rasca estamos, de facto, nós todos.


E as novas medidas de austeridade não resolverão nada.


Empobrecem quem já é pobre.


O défice é do governo para com o cidadão.


Não é do país.


A dívida é o roubo da banca ao cidadão.


A culpa dos governos é governarem os interesses da banca.


Equilibrarão o défice... à custa do cidadão...


Daqui a um ano, em dívida, voltarão a pedir o osso ao frango.


O frango, que é o cidadão, ao qual já lhe comeram a pele, a carne
e lhe chupam os ossos, à procura do tutano.

É o sistema, o neo-capitalista sistema que tem de se repudiar: ou seja "pega lá dinheiro que já te peço o triplo".

Ou morremos todos de fome –e os vampiros connosco, secado o nosso sangue. 


É a única saída.


E depende de ti, amigo.

E não é que...

... comparando com as restantes músicas a concurso, a música dos Homens da Luta não é um vencedor assim tão injusto?...

sábado, 12 de março de 2011

Será que chegaremos ao PEC VI?...

É preciso ter lata!

O país a ser confrontado com vagas consecutivas de austeridade, com tudo o que isso implica, e os jogadores do Sporting optam por meter férias dois meses antes...

sexta-feira, 11 de março de 2011

É impressão minha...

... ou muitos daqueles que se dizem "à rasca" são os mesmos que, quando na Faculdade, ficavam na esplanada em dias de protesto ou de manifestações académicas?...

É excelente...

... trabalhar com um grupo de pessoas em que reconheço, sem excepção, qualidades que desejo que a Mariana tenha quando for gente grande. Psilipe likes this!

quinta-feira, 10 de março de 2011

Regresso a Outubro de 2004...

Corria o mês de Outubro de 2004, quando escrevi o texto que coloco abaixo no mítico "O Claustro", jornal do Núcleo de Estudantes da minha Faculdade. Quase sete anos depois, é assustador como há coisas que adquiriram, ainda mais, actualidade. E, há que dizê-lo, importa reconhecer a forma como a geração "à rasca", que clama por oportunidades de reinvindicação e que transpira pró-actividade, abdicou, tantas vezes, do seu papel de oposição e de luta em alturas em que tudo parecia bem mais confortável... 

O Claustro propõe-te um raciocínio de imaginação… Imagina que vivias num país qualquer em que as pessoas, por ordem dos Reitores das suas universidades, eram carregadas por polícias armados até aos dentes, e que para o Governo desse país, esse facto corresponderia a um uso justificado da força… E em que bens que deveriam ser para todos, como o direito a uma Escola Pública e justa, eram cada vez mais só para alguns… Imagina agora que o critério que permitiria às pessoas aceder a tais bens era, fundamentalmente, a quantidade de dinheiro que elas e as suas famílias dispunham mensalmente…

Que país triste e sombrio seria esse, em que a consolidação do pilar da Educação (fulcral para o desenvolvimento de qualquer povo…) era determinado pelos cifrões, e em que quem menos tinha era arredado do acesso a tão importante dimensão da existência humana… Seria tão triste e injusto, não achas? Mereceria uma reacção forte, quer de todos aqueles que fossem afectados, quer de todas as pessoas que vissem injustiça nessa situação promovida pelos seus representantes a vários níveis, não achas?

Naturalmente as pessoas desse tal país criticavam muito a situação, criticavam tudo e todos, normalmente no sofá ou sentadas na mesa de um qualquer café ou cantina de tonalidade amarela… Mas agora imagina que quando chegava a hora de fazer algo, seja ele qual for, eram quase nenhuns aqueles que apareciam para protestar, reinvindicar, sensibilizar ou até para decidir aquilo que os outros haveriam de fazer… Que triste e sombrio país seria esse em que as pessoas se alheavam (ou mesmo se orgulhavam de o fazer) dos seus ideais, das suas convicções, dos seus interesses, em que estavam fartas de “manifestações e coisas assim” que lhes davam “cabo da imagem pública”, muito embora não fizessem absolutamente nada para alterar o que quer que fosse…

Imagina, ainda, que esse país, no qual já poucos sabiam muito bem o que significava verdadeiramente a palavra DEMOCRACIA e quais os princípios basilares de um Estado democrático, tinha vivido durante quase cinquenta anos sob um jugo fascizante e que, em apenas trinta anos, tinha deixado de valorizar tudo aquilo que conquistara numa manhã de Abril...e que, quaisnovos ricos da democracia, fossem os mais novos a exponenciar esse misto de ingratidão e inconsciência… Que país feio e sombrio seria esse que te peço para imaginar, não te parece? Mas estará assim tão longe do nosso? Deste cantinho da Europa onde imperam os “bons costumes”?... Este país onde, como diz José Mário Branco, “saímos à rua de cravo na mão, sem perceber que saímos à rua de cravo na mão a horas certas...não é filho?...” Infelizmente não...

Não é novidade alguma que a Academia coimbrã vive dias difíceis e agitados, nem a simples constatação dessa evidência justificaria a edição especial deste humilde periódico… Mas será que já nos apercebemos todos, do real significado daquilo que temos vivido nos tempos mais recentes? Será que todos compreendemos verdadeiramente a abrangência de um processo insidioso que culminou, na semana passada, na prisão de colegas nossos e na carga policial (que só não é repugnante para quem não viu) que foi possível testemunhar in loco ou através dos media? Falamos de propinas, de cargas policiais, de gás pimenta, de um reitor que foge pela porta do cavalo dos estudantes, depois de cobardemente ter chamado cães-de-fila...e na Democracia, já pensámos? Será que já compreendemos a impossibilidade de conjugar os tempos recentes com o ideal democrático que a revolução de Abril nos trouxe? Será que, ainda, não compreendemos que esta(s) questão(ões) não se resume(m), meramente, aos cinco anos do curso e ao valor monetário das propinas, mas a um rumo que nos estão a impor e que se alastra a toda a nossa Sociedade, nos seus diversos quadrantes? Será que já percebemos o perigo que isso representa?...

Enquanto geração parece-me que não, o que está a conduzir a que acumulemos uma dívida às gerações vindouras e, no presente, às nossas próprias consciências... Queixamo-nos, apontamos aspectos negativos do estado actual das coisas, apontamos dedos, chegamos a vociferar algumas palavras de ordem contra aqueles que nos impõem esta situação que caminha para a insustentabilidade, mas, regra geral, fazemo-lo à mesa das cantinas ou enquanto beberricamos um fino à mesa do Cartola ou Tropical… Será que esta atitude passiva, amorfa e, completamente, incoerente com a gravidade dos tempos que vivemos, é correcta e adequada (basta atentar nas poucas centenas de alunos presentes nas Assembleias Magnas e na acção no Pólo II)? Não deveremos colocar a mão na consciência e constatar que o nosso papel, enquanto comunidade estudantil de seres pensantes e dotados de sentido crítico, é pactuante com toda esta situação?

Assim sendo, parece-me essencial que se dignifiquem as situações que visem a explanação do espírito democrático na Academia, nomeadamente Assembleias Magnas e plenários, por forma a que não percam a sua função aglutinadora e potenciadora da união estudantil… mas aqui também é necessária comunhão de vontades, de forma a que não testemunhemos as mesmas cisões partidárias, a mesma questionação quase obsessiva, tanto à DG/AAC, como ao Conselho de Repúblicas, que, pela sua frequência já se tornaram previsíveis… Só assim esses mecanismos poderão funcionar verdadeiramente e (re)ocupar um lugar entretanto perdido… Agora, enquanto as Magnas se perderem em pedidos-de-esclarecimento-à-defesa-de-honra-que-resultou-de-um-ponto-de-ordem-à-mesa-em-consequência-de-uma-declaração-de-voto-relacionada-com-a-prática-de-horseball-no-Paraguai, será muito complicado que assim seja... E, só para concluir, falando em nome pessoal (recorrendo ao Gato Fedorento) mas com a garantia de expressar as inquietações de muitos, estou cansado daqueles que falam, falam...falam, falam...mas não fazem nada… Pois bem, estou farto, e pois cncerteza que fico chateado, sim senhor! Acho que já chega! Está na hora de acordar!

PS: O Claustro aconselha a audição atenta da música “F.M.I.” de José Mário Branco, do álbum “Ser solidário”… Para que te apercebas daquilo que não estamos a conseguir, trinta anos depois da Revolução de Abril...

Ainda vão atrasar a chegada do nosso menino...

... com esta brincadeira.

Horizontes da memória...

Não, de forma alguma discorrerei sobre o programa do José Hermano Saraiva*, até porque abomino a personagem em questão, mas sim sobre um possível significado da expressão... Sempre me chateou, magoou mesmo, a forma como o típico português é desprovido de memória, entendendo aqui memória como a capacidade de preservar aquilo que já passou, como a capacidade de, tal como Jano, olhar o futuro, sem esquecer o passado, de salvaguardar aquilo que já não sendo útil conta a história de alguém, de alguma coisa.

Sempre tive um estranho chamamento por ruínas, locais abandonados, fábricas desactivadas, uma vez que sempre me intrigou(aram) a(s) vida(s) que teria(m) passado por ali, as histórias que poderiam ser contadas, num quasi-exercício de animismo...

Os últimos dias foram combustível para essa (estranha?) tendência... Primeiro, numa visita à Estalagem da Serreta**, na Terceira, edifício emblemático, histórica e arquitectonicamente relevante que se encontra há muito ao abandono, apesar de ser considerado Edifício de Interesse Público. Como diria o Sérgio Godinho, "só neste país". Aquilo que li sobre o edifício, acicatou ainda mais a minha curiosidade e, porque não dizê-lo, a minha irritação.

Hoje sou confrontado, no Compêndio das Fuças, com uma partilha do meu amigo de infância L. P., sobre a antiga Fábrica de Cerveja de Coimbra, unidade industrial marcante da minha infância, responsável por litros e litros de Joi de laranja e de Green Sands (uma imitação de cerveja para garotos) bebidos por este escriba.



Triste, paradigmática, mas muito bem conseguida a reportagem sobre (mais) uma Fábrica Fantasma***...

Por fim, dou com um fantástico fórum sobre locais esquecidos, onde constatei que esta "pancada" não é exclusiva da minha pessoa... Bestial fórum onde é possível visitar alguns locais abandonados pela memória da maioria e, mais importante ainda, perceber a sua história e, no fundo, ampliar os horizontes da memória.

Voltarei a esta ideia, um dia destes...


* Que, já agora, pelo que percebi ao visionar a promoção do seu mais recente programa, não terá recebido a comunicação a atestar o seu falecimento. Só pode.
** Aproveito para pedir perdão ao casal cuja efectivação do amor interrompemos.
*** Onde o meu avô paterno trabalhou, como serralheiro, toda uma vida.

terça-feira, 8 de março de 2011

Mariana: update Março 2011


Fotografia captada na Zona de Lazer de Santa Bárbara, Ilha Terceira, pela sua progenitora.

Por estes dias...

Lê-se: o excelente suplemento do 21º aniversário do Público (na P2)
Ouve-se: Virgem Suta, António Zambujo, David Sylvian, As Canções da Leopoldina,...
Viu-se: As Bandeiras dos Nossos Pais, de Clint Eastwood, Baby TV,...

Uma singela sugestão...

Para quem gosta de fotografia, e da forma como a fotografia pode (e deve) contar histórias, vale a pena consultar as Fotogalerias, da secção Multimédia do site do Público. Podem encontrá-las aqui.

Boas imagens!

Abaixo o Carnaval, viva o Entrudo

Aqui há dias, em deambulações pelo Compêndio das Fuças, deparei-me com uma publicação do P.P. , comentada pela sua consorte, sobre a análise de um jornalista ao Carnaval que se pratica em Portugal... Pouco tempo depois pude ouvi-la, de viva voz, num comentário sobre o Carnaval de Ovar, em que era referido que se "tinha praticado o faz de conta... faz de conta que não está frio, faz de conta que se sabe dançar o samba..." O que ,e fez imenso sentido. E dei por mim a lembrar um pequeno "E" que encontrava colocado nos calendários no quadradinho reservado ao dia de Carnaval, que me intrigava quando andava na escola, em petiz. Se é dia de Carnaval, porque raio aparece um "E" e não um "C", pensava.

 Hoje dei por mim a pensar no Entrudo ou, dito de maneira diferente, a rejeitar, ainda mais, o entendimento bafiento e abrasileirado que se tornou regra em Portugal quando se aproxima esta altura do ano. Não deixa de ser irónico que o povo que se está a abrasileirar no Carnaval, tenha sido o povo que levou as práticas do Entrudo para o Brasil... Sim, as voltas da história são retorcidas. No fim de contas, o que fizémos, ao longo dos tempos, foi trocar a tradição portuguesa de festejo do Entrudo pela subversão brasileira carnavalesca do mesmo que, insidiosamente, foi sendo recambiada para o nosso cantinho. E o Entrudo, entendido como uma súmula das verdadeiras tradições portuguesas, foi sendo esquecido em nome da sua subversão na forma de ritmos culturalmente e atmosfericamente desfasados, de senhoras desengonçadas cuja quantidade de tecido no corpo é indirectamente proporcional ao volume do mesmo, pela parolada do endeusamento dos actores de telenovela e por uma imitação de outros carnavais contextualmente e culturalmente localizados. O que é uma pena... Ao contrário do que se possa pensar, e do que é habitualmente salientado nesta altura, o Entrudo é rico em tradições, hábitos e movimentos culturais que, não havendo uma inflexão carnavalesca, se irão perder e tornar uma simples excentricidade. Na Terceira* ou em Trás-os-Montes, por exemplo, resistem hábitos culturalmente e contextualmente enraizados que deviam, e facilmente podiam, ser enfatizados, permitindo ganhar terreno à más imitações acríticas daquilo que se faz noutros locais do mundo. E se é certo, ou pelo menos dado como certo, que no Carnaval ninguém leva a mal, também é certo que me irrita que poucas pessoas não levem a mal que lhes sejam insidiosamente subtraídas coisas que são suas. Abaixo os sambistas de meia tigela! Vivam os caretos, os gigantones, os ratões e os "bailhinhos"!

* É impressionante, e sintomático, como é que um movimento cultural como o do Carnaval da Terceira merece o mesmo, ou menos, destaque do que as sambistas de Loulé ou as escolas de samba da Mealhada...

domingo, 6 de março de 2011

Linhas cruzadas, Virgem Suta



Último concerto que vi, na Praia da Vitória, em Fevereiro. Bom espectáculo ao vivo, em que os dois músicos defenderam bem um reportório, ainda, demasiado curto. Recomenda-se.

Psilipe, podia dar-me um exemplo de uma força de expressão?

Grupo de trabalho custou 209 mil euros e reuniu-se uma vez em 14 meses - Sociedade - PUBLICO.PT

Utilizar a palavra "trabalho" nalgumas situações, como a que coloco acima.

Tiro ao boneco

Não consigo perceber como é que ainda alguém pode defender que o golfe é um desporto elitista, quando é praticado semanalmente pela maioria das claques de futebol. Há que actualizar ideias, meus amigos. A expressão "hole-in-one", pelo que tenho visto, agora designa o acto de conseguir abrir uma cabeça a um jogador da bola com um único lançamento da bancada...

Ordem dos Psicólogos = 4858000 de euros?...

Antes de mais aqui vai uma pechinchinha* declaração de interesses... Não possuo qualquer preconceito de base anti-corporativo, nem me nascem borbulhas na alma quando penso na Ordem dos Psicólogos, enquanto conceito. Não deixo, no entanto, de me questionar sobre a forma como o mesmo conceito é, e será, aplicado, operacionalizado e, porque não dizê-lo, gerido. E falo de gestão porque a Ordem dos Psicólogos, atendendo aos dados vindos a público, movimenta um volume de dinheiro considerável, que advém das contribuições forçadas dos seus associados. Pelas minhas contas perto de cinco milhões de euros... O que constitui uma cifra considerável e que poderá permitir questionar a dimensão dos valores exigidos àqueles que se viram na contingência de integrar uma família que, porventura, não desejaram**.

A recente vaga de quotizações da Ordem dos Psicólogos, que implicou que todos tivéssemos que pagar os valores definidos, independentemente do rendimento, da situação profissional, da existência, ou não, de emprego na área, activou em mim um raciocínio crítico que se encontrava latente há muito. A constatação de valores financeiros elevados, levou a que formulasse uma série de questões... Que papel pode ocupar uma Ordem dos Psicólogos, em abstracto? Que papel ocupa esta Ordem dos Psicólogos que, mesmo tendo uma existência oficial recente, já existe em essência e em pré-formato há muito (basta pensar na semi-estruturação existente na APOP)? Até que ponto as obrigações impostas encontram eco na criação de oportunidades para a melhoria do exercício profissional e para a potenciação do potencial profissional de cada um dos seus associados? Até que ponto é que podemos olhar para esta ordem como uma oportunidade de esperança ou como um pólo de castração?

E como é que cheguei ao número que vos apresento acima, indagam vossas senhorias. Explicarei, até para não alimentar possíveis insinuações de anti-corporativismo… Então é assim. Segundo o site da OPP, ainda antes do final do prazo de inscrição, existiam 14500 aprendizes de feiticeiro devidamente inscritos. Tomaremos este número como o universo da OPP, apesar de o número real ser superior, uma vez que terão existido mais inscrições, bem como pessoas que tiveram problemas com a respectiva inscrição na Ordem (conheço pelo menos duas pessoas em que tal aconteceu).
Pegando nas inscrições, e atendendo à tabela de quotizações e emolumentos da OPP, facilmente se percebe que cada artífice da mente abdicou de 180 euros, o que perfaz um total de 2610000 euros***.
À inscrição, inapelavelmente, segue-se uma quota, cujo valor depende da experiência profissional. Mais uma vez escolhendo uma perspectiva conservadora, que privilegia o cálculo por defeito, contabilizei que 7500 dos inscritos teriam menos de cinco anos de experiência, pelo que pagariam 96 euros anuais, e 7000, os mais experientes, pagariam 144 euros por um total de doze meses a poder tentar explicar, com pleno direito, aos respectivos familiares mais velhos o que essa coisa de ser psicólogo, procurando manter um nível de credibilidade razoável… Feitas as contas, obtemos um valor anual de 1728000 euros.
Continuando a analisar a tabela de emolumentos, facilmente se conclui que os novéis alquimistas da mente terão que pagar para fazer parte do clube. Estimando, aqui com uma dose ridícula de conservadorismo, que 750 pessoas se prontificam a realizar o obrigatório (ou como agora se diz mandatório) estágio profissional, facilmente se conclui que terão que desembolsar mais 160 euros. Tudo somado, chegamos a um valor adicional de 120000 euros por ano. Pressupondo que 1000 bombeiros da alma mais experientes solicitam o título de especialista, obtemos uma fonte adicional de 300000 euros. Por fim, e atendendo a que, aparentemente, tudo se paga na OPP; é obrigatório contemplar, neste humilde raciocínio, uma verba de 100000 euros para recebimentos diversos (vinhetas, repetições de estágio, pedidos de alteração do nome profissional, poder emitir flatulências enquanto psicólogo,...). Tudo isto perfaz:


 Este valor naturalmente diz pouco, por si só... Poderá ser justo ou indigno consoante aquilo que a OPP conseguir, ou quiser, realizar com ele. Poderá ser adequado ou vergonhoso consoante for, ou não, directamente proporcional a uma real melhoria do exercício profissional da Psicologia no nosso país. Poderá ser um investimento de valia incomensurável ou mais um estranho desperdício, dependendo do balanço que for feito ao longo dos próximos tempos.

No entanto, analisar as actividades desenvolvidas e o plano de actividades para os próximos meses (constantes na newsletter da OPP, disponível para download aqui), não pode deixar ninguém tranquilo... Mesmo.

Deseja-se, vivamente, que não tal seja um mau prenúncio.


* Palavra que no linguajar terceirense designa alguma coisa pequena.
** Muitos dos quais nunca tiveram um rendimento estável, nem condições condignas de exercício da profissão ou auferem valores que não se compadecem com aquilo que o exercício profissional da Psicologia realmente significa.
*** O que facilmente permite concluir que a OPP poderia ter contratado o Liedson ao Sporting.

terça-feira, 1 de março de 2011

Austeridade...

Se me voltam a falar em austeridade, eu juro que puxo da pistola. E prometo que arranjo uma primeiro.

Para quê complicar... Uma excelente canção.



"E a rua toda de olho arregalado
a perguntar: como é que conseguiu..."

António Zambujo

"Ordem dos Psicólogos"...

...é uma expressão que ouvida, lida ou dita me começa a despertar alguma irritação interior. E garanto-vos que não é só por estar obrigado a derreter (penso que a palavra mais adequada é esta, pelo menos até prova em contrário) perto de trinta contos (144 euros) para poder pertencer a uma família que não escolhi.

A ausência de uma Ordem dos Carpinteiros e Marceneiros é um argumento a favor de uma ambicionada inflexão profissional...

And the Oscar doesn't go to...

... viver na Terceira. Tradicionalmente, a cerimónia dos Óscares equivalia, para a minha pessoa, a uma inevitável alienação de umas horas de sono em favor do acompanhamento da cerimónia. Nunca me excitou o so called glamour da cerimónia (aliás sempre achei pavorosa os inefáveis directos da passadeira vermelha), mas agradava-me ver todas as categorias presentes (o que permite ir além dos prémios principais e perceber que o cinema é, realmente, uma máquina genial e multifacetada) e torcer pelos meus filmes
favoritos (normalmente, numa luta inglória contra o mainstream do mainstream).

Desde que estou na Terceira, onde o cinema continua a sofrer de um incompreensível atraso estrutural, a cerimónia dos Óscares começou a tornar-se, progressivamente, uma coisa distante. Sim, poderia ver os filmes todos e mais alguns baixando-os (como é ridículo não utilizar estrangeirismos, por vezes), mas, por razões que me recuso a indagar interiormente, tenho uma certa dificuldade em sacar filmes a metro, que gosto de aceitar como adquirida.

No ano corrente, a coisa atingiu um extremo preocupante... Não conhecia a quase totalidade dos filmes em disputa, nem me ocorreu ficar acordado horas em excesso à espera da cerimónia.

Tudo isto equivale a dizer que, das duas uma, ou regresso aos meus territórios de origem (o que começa a apetecer à brava, apesar de ser altamente desaconselhado pelos Deolinda), ou me torno, até ao ano que vem, num experiente pirata informático. Torrents e afins... here I go! Isto não pode voltar a acontecer.