terça-feira, 26 de abril de 2011

Ainda sobre o deputado Lello...

É devida a Bocage, poeta sadino, a expressão "é pior a emenda que o soneto"... Coube a José Lello dar um novo sentido, e uma nova confirmação, a tal expressão.

Ontem, partilhei com aqueles que aqui vieram algumas letras que dirigi ao deputado José Lello, na sequência das suas foleiras declarações. Naturalmente, impunha-se, e esperava-se, uma clarificação por parte do deputado em questão, num habitual exercício de redução de danos em que se procura transformar a realidade numa outra-coisa-qualquer-que-não-seja-tão-politicamente-incorrecta, principalmente quando se aproximam combates eleitorais em que os devaneio individuais podem comprometer a vida partidária.

Eis senão quando, que José Lello volta a inovar... Reconhecer a incorrecção do termo utilizado? Não... Retractar-se publicamente pela tolice proferida? Não... Clarificar publicamente que ultrapassou os limites enquanto representante da Nação? Não... Limitou-se, com um sorriso nos lábios, a desculpar-se, qual adolescente apanhado a observar senhoras de Leste em poses menos próprias, num qualquer sítio da Internet.

"O que estavas a ver, Lello?! Estava a ler A Bola, quando, sem que eu percebesse porquê, apareceram umas coisas no écran, em que eu, sem saber como, carreguei, e abriu outro écran, em que eu, sem saber como, coloquei o número de cartão de crédito e, depois, sem saber porquê, comprei umas fotos de umas senhoras que eu nem sequer conheço... Valha-me Deus, rica mãe! Estão desnudadas, as pecadoras!!! Esta Internet é uma marota!"

O que José Lello fez, com uma desfaçatez foleira, foi basicamente isto. Faltou-lhe a coragem e o tão apregoado sentido democrático.

E, no fundo, que confiança nos merece um homem, que pretende voltar a representar o País ao mais alto nível, que não consegue, de acordo com a sua versão, actualizar convenientemente o status no Compêndio das Fuças? Que admite que não consegue realizar uma operação simples numa rede social sem correr o risco de ofender o mais alto magistrado da Nação?...

Considero que pouca, muito pouca.


Não deixa de ser, no entanto, curioso e irónico que o homem que não consiga deixar de ofender as pessoas
devido à sua iliteracia informática, portanto pouco preocupado em aprender a funcionar convenientemente com as ferramentas que selecciona para as duas funções de deputado, se tenha manifestado tão diligentemente contra o suposto voyeurismo dos fotógrafos na Assembleia da República, há uns tempos. Fará isto sentido? Não, mas não se esqueçam que estamos a falar de José Lello. O sentido, a lógica e o sentido crítico são bens que perdem a sua utilidade prática.

Por fim, recomenda-se a José Lello que procure espantar estes seus males... Olhe, cante! Lá diz o povo, quem canta seus males, espanta! Isto até fazia sentido, mas depois de o ouvir cantar, acho que terá o efeito contrário... Chiça, que o homem guincha.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Caro Deputado José Lello...

Aqui fica uma mensagem enviada ao Deputado José Lello, na sequência das suas declarações em que apelidou de foleiro o Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva.

Caro Deputado José Lello,

antes de mais, manifesto a minha vontade que leia estas simples linhas e que esta página não seja, simplesmente, uma falsa forma de contacto com os eleitores, gerida por um qualquer funcionário partidário ou da AR... Temo que assim seja e que, porventura, parte da sua gestão seja paga por mim.

Li, há pouco, a sua publicação no Facebook em que adjectiva com palavras pouco comuns na vida democrática o facto de o PR não ter procedido a um convite formal aos deputados portugueses para a cerimónia de comemoração do 25 de Abril.

Em jeito de manifestação de interesses, clarifico que sou tudo menos um fã do nosso PR pelo que estas linhas não radicam num qualquer enfado político-partidário.
O senhor deputado ostenta, normalmente, um estilo peculiar, não se coibindo de usufruir do estatuto privilegiado que lhe dá o facto de ser um fiel alto quadro do PS e, consequentemente, um crónico representante da Nação. Há quem goste, há quem não goste. No entanto, há coisas que vão além do gosto... Ou, se preferir, que se adequam à ideia que "os gostos não se discutem, lamentam-se!"
A declaração proferida por si, via Facebook, dirigida ao PR é altamente criticável. Denota um ego (inchado) ferido e transmite uma triste impressão ao País das preocupações actuais dos altos representantes neste momento de crise. Passa a mensagem de alguém que está altamente consciente das seus direitos e mordomias, numa fase em que todos os portugueses se habituam à triste fatalidade de terem que perder muitos dos seus direitos e deixar de sonhar com qualquer tipo de mordomias.
Fica claro que, por si, a ideia de uma união em torno de desígnios nacionais é secundária face à vivência obstinada da vida partidária, num prolongamento cego do ego individual... Fica claro que nada tem limites. Fica claro que muitos daqueles que ocupam as elites da Nação não merecem a nossa confiança. O que compromete, de forma irrecuperável, que os ecos de esperança e confiança realizados encontrem eco na vida interior de todos nós.

Dir-me-á o senhor deputado que, mesmo nos tempos em que vivemos, tem que haver espaço para a corajosa expressão de ideias e de opiniões... Que não é a crise que o impede de dizer tudo o que lhe vai na alma! Permita-me que diga que tal não faz sentido e que nem sequer é politicamente inteligente... É o que dá a irracionalidade do ego ferido...

Permita-me que diga que um deputado criticar o PR via Facebook, qual adolescente revoltado, é muito, muito foleiro. Permita-me que lhe diga que é igualmente foleiro secundarizar funções oficiais, privilegiando a campanha partidária. Que acrescente que é, na minha opinião, grave que se justifiquem faltas a obrigações resultantes da função de deputado português com o facto de estarmos "em campanha", como fez V. Ex.ª, reconhecendo, inclusivamente que tal facto implica que se falte à "defesa do interesse nacional" (in Publico Online). Que reforce que é foleiro priorizar as eleições que se aproximam em prejuízo do exercício dsas funções tão amplamente, e publicamente, enaltecidas e defendidas...

Finalizo, deixando votos de melhor gestão do ego e de uma maior clarividência democrática para os tempos que aí vêm. Nós, aqueles que compõem aquela coisa indefinida chamada povo português, agradecemos...

Tenho dito.

Filipe Fernandes, jovem eleitor português, pai de uma filha de dezasseis meses.

domingo, 24 de abril de 2011

Férias Descartáveis...

Estar de férias tem significado uma estranha, e anacrónica, constatação de um certo dualismo... Se é certo que a mente/espírito quer usufruir ao máximo deste período de ócio, o corpo/matéria insiste em encontrar razões para que tal não aconteça, ostentando um extenso rol de sintomas visíveis à medida que o período de vacaciones se começou a aproximar.

Conseguirei derrotar este dualismo e dar férias ao Descartes até as minhas próprias férias acabarem?... I hope so...

sábado, 23 de abril de 2011

A via sacra de (Jorge) Jesus...

Mais um episódio na vida recente do Benfica e do seu timoneiro.

Será Coimbra a última estação da Via Sacra de Jesus?...

quinta-feira, 21 de abril de 2011

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Eu é que sou...

... o Presidente da Cidadania.

Vi com atenção a entrevista de Fernando Nobre na RTP, hoje, pela hora de jantar. Vi-o, à semelhança dos melhores políticos, a tentar recuperar o terreno perdido nos últimos dias e a salvaguardar cada um dos seus seiscentos mil votos. O que vi reforçou a minha dificuldade em perceber o percurso recente do senhor, ficando-me dúvidas se ele próprio ainda consegue encontrar a saída do labirinto que criou. 

O senhor admitiu que aceitou pela garantia de um cargo visível (não para ele, para a cidadania...), reconheceu que aceitou por ter olhado olhos nos olhos do Pedro Passos Coelho e ter gostado do que viu, admitiu que sendo de esquerda irá concorrer por um partido de direita sem sequer ler as propostas programáticas do mesmo, repetiu até a exaustão os chavões do humanismo, da cidadania e afins... 

No entanto, há que reconhecer que realmente esta é a candidatura da cidadania... Na verdade, Fernando Nobre não tem uma relação muito diferente com o processo democrático do que o cidadão médio português. É igualmente fraquinha. É o que temos.


PS: é demasiado fácil descrever uma imagem de Fernando Nobre a correr atrás de um barão do PSD que ostenta uma faixa de Presidente de Assembleia na sua boca... Não o farei...

domingo, 17 de abril de 2011

Psilipe entra na Baía dos Piratas

Este fim-de-semana aprendi a fazer downloads de músicas*... Pressupondo que o método para sacar filmes é o mesmo, estou duplamente com medo de mim nos próximos tempos.


* Discografias completas dos Sétima Legião e Ornatos Violeta já tocam no Romeo.

Tolerância de pronto!

Na passada Sexta-Feira descobri que não irei trabalhar na Quinta-Feira de tarde, uma vez que o Governo Arquipelágico dos Açores concedeu uma tolerância de ponto* ao funcionalismo público açoriano que a minha entidade patronal entendeu respeitar.

Leiam isto baixinho para os finlandeses e os alemães não saberem.

*Absolutamente ridícula a concessão de uma tolerância na véspera de quatro dias de ausência ao trabalho.

Pouca terra, pouca terra...

Já se sabia que Portugal é um lugar estranho. Já se sabia que as dimensões exíguas do país são indirectamente proporcionais ao número de estranhas decisões e orientações político-sociais que condicionam, negativamente, a qualidade de vida e a evolução daqueles que, teimosamente, insistem em não partir. Já se sabia que em Portugal a memória é um bem teimosamente entendido como supérfluo, continuamente preterido em nome de uma concepção parola de inovação e progresso.

Não se sabia, ou pelo menos eu não sabia, que era possível utilizar a figura do documentário de uma forma tão eficaz para traçar um retrato apurado desta coisa a que continuamos, por simples hábito, a chamar de país.

No Sábado, num estranho exercício de bom gosto, a SIC difundiu, em horário nobre, o multipremiado documentário "Pare, escute, olhe" da autoria de Jorge Pelicano, cujo trailer podem encontrar aqui em baixo.



Excepcionalmente bem realizado, conjugando de uma forma perfeita diversas linguagens, este documentário traça um retrato social e humano das populações transmontanas, tendo como fio condutor a ferrovia, o seu papel no quotidiano das populações e a forma como tantas dinâmicas foram afectadas pelas decisões de um sem número de governantes. Pelo caminho, desafia uma determinada concepção de progresso, conecta-nos a valores fundamentais e faz-nos sentir um estranho sentimento de culpa pela forma como, nem que seja só por alguns momentos, os entendemos como anacrónicos.

Pelo caminho fazemo-nos convidados no quotidiano de pessoas comuns, cuja complexa simplicidade faz delas personagens inacessíveis ao melhor dos guionistas de ficção... Pelo caminho percebemos a importância social e comunitária das linhas ferroviárias transmontanas e simpatizamos com a Causa da Linha do Tua... Pelo caminho percebemos porque razão não nos conseguimos governar e muito do que perdemos, de forma irrecuperável, enquanto pensávamos que o conseguíamos fazer.

Vale a pena ver e, tal como eu fiz, rever, meus amigos e amigas...

sábado, 16 de abril de 2011

O novo símbolo da AMI...

... com o Nobre patrocínio de Pedro Passos Coelho.

A. M. I. - Afinal Minto Imenso.

Se o tiro nos pés...

... fosse modalidade olímpica, Portugal teria uma equipa de pares altamente competitiva: Fernando Nobre e Pedro Passos Coelho. Fortíssima!

sexta-feira, 15 de abril de 2011

terça-feira, 12 de abril de 2011

domingo, 10 de abril de 2011

Excelente texto que vale a pena partilhar...

Tenho uma dificuldade visceral em lidar com a vertigem do tempo dos dias de hoje. Irrita-me a legitimação do imediatismo e a falência da(s) memória(s). Na edição de Março da revista LER, encontrei um texto, do escritor João Tordo, que traduz muito daquilo que sinto... Aqui fica, com a devida vénia, uma das frases do mesmo:

"Fazemos tudo demasiado depressa e vamo-nos esquecendo, a caminho de parte incerta, de ir saboreando esse legado: consumimos demasiado, a cultura transformou-se em produto, o produto perdeu qualidade, o nosso palato também. Em tempos difíceis não convém parar, convém perceber que aquilo que deixamos na nossa esteira - os artefactos que constituem a nossa vida e memória - é para ser apreciado à velocidade dos homens, que é menos intensa do que a luz, mas certamente mais bela".

Das duas, uma...

Ou estamos perante um coleccionador ou perante uma (ami)ba.

Fernando Nobre é candidato do PSD à presidência da Assembleia República - Política - PUBLICO.PT

Isn't this ironic?...

Virar à esquerda é o único caminho para o País... ou melhor dizendo para o teleponto. É fantástico quando a realidade consegue produzir a mais fina das ironias.

Insanidade temporária?

"O Partido Socialista é um partido unido à volta do seu líder...".

"Só sei que nada sei..."

O discurso de José Sócrates já terminou há uns quinze minutos, e continuo sem perceber sobre qual país é que ele discorreu... E atenção, eu até sei umas coisas sobre geografia*.

* Sem ver a wikipédia, digam quem souber qual é a capital do Burkina Faso?...

Cristas...

A vantagem da luta de galos, em comparação com a situação política actual, é que um dos contendentes deixa de cacarejar num ápice.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Aceitam-se sugestões...

Que nos sobre o humor, no meio de todo este pseudo-cataclismo sócio-económico.

O desafio do dia é este:

Que expressão é possível construir utilizando o acrónimo F. M. I.?

A melhor frase recebe um prémio inesquecível...

O coração cheio...

É óptimo quando sentimos (ainda) mais orgulho das pessoas que amamos.

terça-feira, 5 de abril de 2011

É só para avisar...

... que amanhã os juros da dívida pública portuguesa vão subir, que o rating de várias instituições financeiras e do próprio País vai ser cortado e que os principais partidos trocarão acusações sobre a responsabilidade da situação actual do nosso recanto à beira mal plantado.

Gosto sempre de ser o primeiro a dar as novidades.

Já agora, depois de amanhã será igual...

Boa sorte, Portugal.

domingo, 3 de abril de 2011

O fair play é uma treta...

Há uns anos, o treinador Jorge Jesus proferiu uma frase que se tornou mítica: "o fair play é uma treta...".

Hoje provou-se que isso é verdade. Fica a certeza que se deixou (mais) uma semente que germinará um destes dias, com consequências imprevisíveis, parte de uma espiral que parece ser entendida como natural. Mas ninguém repara que isto começa a ultrapassar limites?...

O primeiro retrato do Romeo...

... que é o membro mais recente da nossa família.

Benfica - Porto...

Li algures que o Benfica, para o jogo de hoje com o Porto, iria impedir a entrada de todo e qualquer símbolo do clube adversário, trazidos pelos adeptos portistas.

As bolas de golfe também estão incluídas?...

sábado, 2 de abril de 2011

Haja alguém que o diga...

Discurso de Miguel Portas, no Parlamento Europeu, sobre as remunerações e benefícios dos deputados... Chamar a isto demagogia ou moralismo bacoco é igual a cócó.