segunda-feira, 30 de novembro de 2015

domingo, 15 de novembro de 2015

A propósito da existência de um terrorista português...

Os portugueses são um povo lixado e que, nalgumas alturas, conseguem baralhar aquilo que parece fácil, aquilo que parecia fazer tanto sentido! Tinha que aparecer um terrorista português para baralhar uma série de teorias subjacentes aos hediondos atentados de ontem. Parecia tudo tão fácil de explicar...

Terroristas para a terra deles, é o que é! Mas um deles era português... Correr com ele para a terra dele! Que é a nossa?!... Porra. Vêem como há portugueses que são mesmo lixados? O que vale é que haverá outros que hão-de desenrascar outra explicação qualquer.

sábado, 14 de novembro de 2015

O que se aprendeu, hoje, com a Mariana... - LXIV

Que há mentiras que têm que ser ditas.

Que o facto de termos que mentir demonstra a enormidade das coisas.

Que há valores absolutos. O futuro da Mariana é um deles.

Mariana - Isso que está a dar na televisão, é onde?

Pai de Mariana - Paris.

Mariana - Em França?! E isso é perto de nós?

Pai de Mariana, após um silêncio - Não.  Aquilo que está a acontecer é muito longe de nós.

Pai de Mariana (em pensamento) - Antes fosse.

terça-feira, 6 de outubro de 2015

O que se aprendeu, hoje, com a Mariana... - LXIII

Que a Mariana é uma visionária em matéria de política eleitoral.

Que a Princesa está a (re)criar os alicerces da democracia, instituindo os círculos uninomais (do coração).

Que há maiorias absolutas no coração da Princesa que não são contrariadas por qualquer moção de censura. Venham de onde vierem.

Mariana: O que é votar?

Pais de Mariana: É escolher quem é que queremos que nos represente, que tome decisões por nós. Estão nomes escritos numa folha e escolhemos as pessoas que merecem a nossa confiança.

Mariana: Mamã, escolheste a Tia L.*, não escolheste?

* Que, não sendo candidata a nenhum lugar elegível nas Legislativas, é uma das pessoas que têm maioria absoluta no coração da Princesa. Que, não sendo tia de sangue, é uma das boas tias do coração que a Princesa tem, na sua vida.

domingo, 4 de outubro de 2015

"Saúde e democracia"

"Saúde e Democracia". Era assim que, no período pós 25 de Abril, acabavam as cartas de um dos meus avôs, operário fabril, hábil serralheiro na Fábrica da Cerveja. Nestes dias, em que procuro ensinar à Mariana a importância do voto*, não consigo deixar de lembrar nessas palavras manuscritas, encontradas em cartas antigas junto a cartazes, com letras desenhadas a caneta de feltro, que nunca chegaram a agitar os trabalhadores, em tempos em que agitar se tinha tornado possível e, sadiamente, obrigatório.

Nestes dias, lembro-me dos meus outros avós, os da aldeia, aperaltados, como se fosse Domingo de Páscoa, dirigindo-se, em conjunto, à assembleia de voto, num ritual solene, quase religioso. Lembro-me deles. Lembro-me da sua consciência da importância do voto e imagino, sem saber o que seria, o que seria querer e não poder participar, dar a sua opinião e contribuir para a construção democrática do país que é seu.

E sinto-me (ainda mais) obrigado a ensinar à Mariana a importância destes dias, a educá-la para a sociedade democrática para que ela não seja uma das pessoas que não vota. Aquelas a quem o meu avô, do alto do seu fato e gravata e cabelo aprumado, diria das boas, nestes dias. E faria bem. Muito bem.

*Tendo a Mariana questionado se a sua mãe teria votado na sua Tia L. "Votaste na Tia L., não votaste, mamã?"

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

O que se aprendeu, hoje, com a Mariana... - LXII

Que a a aprendizagem da descodificação das "ilusões" (ou seja, as emoções em Marianês) se vai fazendo.

Que a Princesa não pára, mesmo, de crescer.

Que continua a ultrapassar etapas, mesmo que a insegurança de quem é pai, nem sempre o perceba e processe.

Pai de Mariana (que passou a primeira semana de aulas em stress traumático): Mariana, gostas do teu professor da Escola?

Mariana: Sim.

Pai de Mariana: E ele é simpático? Ri-se muitas vezes?

Mariana: Ele ri-se poucas vezes. Mas não é daquelas pessoas de cara zangada. É simpático, sem se rir muitas vezes...


quinta-feira, 30 de julho de 2015

O que se aprendeu, hoje, com a Mariana... - LXI

Que o processo de aculturação é, mesmo, imparável.

Mãe de Mariana (enquanto a Princesa fala com os avós, em alta voz, no telemóvel) - Conta aos avós onde foste ontem! Conta que foste à praia!

Mariana - Não, não fui...

Mãe de Mariana (cujo processo de aculturação teima em ser mais lento do que aquele dos restantes elementos cá de casa) - Não foste? Então não foste aos Biscoitos?

Mariana - Os Biscoitos não são uma praia*!

Pumba.

* Esclarecimento para continentais: na Terceira, e nos Açores em geral, as praias de areia são raras. A grande maioria dos locais de banho são zonas balneares (como os Biscoitos, acima referidos), localizadas nas rochas em zonas vizinhas ao mar. Assim, a expressão tomar banho não se resume ao acto de higiene matinal. Havendo uma cidade chamada Praia da Vitória, ir à praia é mais ir à Praia, do que ir à praia. Encontrar um terceirense que goste de areia é mais difícil do que um adepto da Académica que aprecie o Guimarães.

Até debaixo de água, esta ilha continua a ser...

...fenomenal.








segunda-feira, 27 de julho de 2015

Até debaixo de água, esta ilha é...

...fenomenal.








Fotos captadas nos Biscoitos, Ilha Terceira, com a GoPro dos remediados, uma mítica Denver.

quinta-feira, 23 de julho de 2015

O que se aprendeu, hoje, com a Mariana... - LX

Que vale a pena educar, musicalmente falando, uma Princesa.

Que a Violetta, e afins, terão adversários de peso, dentro em pouco.

Que o caminho para educar o ouvido é, contudo, árduo.

Que, por vezes, apesar de exigirmos demais de uma pequena de cinco anos, conseguimos rir em conjunto, com ela.

Que é tão bom, quando isso acontece.

Episódio número 1

Desligou-se a televisão (algo que se faz, cada vez mais, cá por casa) e colocou-se o David Bowie, que se tem ouvido no carro, a encher a sala com a música "Jean Genie". A Princesa pára.

Mariana - Papá, este senhor é o mesmo que canta a música do astronauta Tom?

Pai de Mariana - Hã?!



Episódio número 2

Pai de Mariana (enquanto se ouvia o Cuidado com as Imitações do Mestre SG) - Como se chama o senhor que está a cantar, Mariana? Sérgio...

Mariana - Gordinho!

(risos em conjunto)

Pai de Mariana (que consegue ser um chato) - Não! Sérgio Godinho. E o senhor que canta o outro CD que ouvimos em casa? António Zam...

Mariana - Zambor!

(risos em conjunto)

Pai de Mariana (que, não sei se já partilhei, consegue ser um chato) - E o senhor que canta a música do Major Tom? David...

Mariana - David Gordinho!

(risos em conjunto!)


quarta-feira, 22 de julho de 2015

O que se aprendeu, hoje, com a Mariana... - LIX

Que há momentos em que passamos com nota positiva, nas pequenas auditorias de qualidade do quotidiano.

Que procurar educar uma pequena de cinco anos é bem mais desafiante do alguém com uns anos a menos.

Que a Princesa está, mesmo, a crescer.

Princesa Mariana, em pleno momento de passeio a dois com o seu pai - Papá, sabes que eu, de vez em quando, compro a mamã?

Pai de Mariana, contendo as reacções todas que tinha vontade de ter e fazendo uso dos instintos manipulatórios que, por vezes, os bons pais têm que ter (e disfarçar que têm...) - Ai é? E como é que fazes isso?

Princesa Mariana - Digo que lhe dou mil beijinhos se ela me fizer aquilo que eu peço... Compro-a com mil beijinhos, por exemplo.

Pai de Mariana - E funciona?

Mariana - Olha... Não. Nunca funcionou...

Pai de Mariana (mentalmente, depois de regressar a 2015, depois de uma viagem súbita, algures no futuro) - Ufff...

segunda-feira, 6 de julho de 2015

O que se aprendeu, hoje, com a Mariana... - LVIII

Que os colegas da Mariana têm alguma razão em, quando existem crianças com o mesmo nome próprio, se tratarem pelo apelido, como os militares ou os guardas prisionais.

Que a inteligência e perspicácia de uma pequena princesa de cinco anos, ainda é um prólogo de tudo o que está para vir, por muito que os seus pais se esqueçam.

Que os alicerces ainda estão (quase) todos em construção.

A princesa estava nas suas sete quintas, a ver "bonequinhos"* em casa da sua mais recente tia, a J., cuja irmã se chama, igualmente, Mariana, numa clara demonstração de bom gosto dos pais das duas.

A J.**, num assomo de dona-de-casa, no meio do corropio ternurento de quem tem a casa cheia pela primeira vez e quer que tudo corra pelo melhor, solta uma instrução, dirigida à irmã: "Mariana, tira a roupa!" Aquela que estava no chão da casa de banho.

Uns quatro segundos depois, num dia de calor, a princesa está debaixo de um cobertor, na sala, com um ar confuso.

Pai de Mariana: Porque estás tapada com um cobertor, Mariana?

Mariana: Porque tenho frio...

Pai de Mariana: Mas está um dia de calor.

Mariana: Mas eu estou sem roupa... A J. mandou...

* Ou macaquinhos, em terceirense.

** Que tem a extraordinária capacidade de não ter medo de dizer aquilo que sente. Coisa rara...

Das palavras que é uma pena que não sejam usadas mais vezes... - V

Como diria o Z.P.O., arrabaldes (de Fala, por exemplo).

A piada óbvia do dia...

O Varoufakis foi de mota.

34

Filipe sempre temeu os 34 anos. Em petiz, interiorizou que era nessa idade que os jogadores da bola se tornavam veteranos, logo menos capazes, logo velhos. Decorria o Mundial de 1990, em Itália, quando Filipe teve a sua primeira caderneta de cromos da Panini, um marco para qualquer criança que tivesse um pai vidrado em futebol nas décadas de 80 ou 90. Nela constavam os dados dos jogadores. Nome, clube onde jogavam* e data de nascimento. Havia esperanças, jogadores maduros e veteranos. Um deles ficou na memória. Mítico guardião da Holanda, Van Breukelen. Nascido em 1956, chegava a Itália com 34 anos. É um daqueles que ficaram na memória. Um jogador em final de carreira que, aos 34 anos, jogava o seu último Mundial. Um veterano.


Ontem, percebi que os meus primeiros 34 anos passaram num ápice, quase à velocidade da luz, como na foto abaixo, que tirei há uns anos. Que ser veterano até é porreiro. Que não os trocava pelos outros anos que os antecederam. Fazia, apenas, uns pequenos retoques. Procurarei começar a fazê-los, a partir de hoje. Espero conseguir.


Que venham mais.

* O que permitia perceber que jogaram, nesse Mundial, jogadores do Beira-Mar e do Benfica de Castelo Branco. Quem se aventura a adivinhar os seus nomes?...

As alturas em que o jogo da bola faz sentido*


* Ou, como diz o senhor estrangeiro do Lago dos Tubarões, "tem senso".

quinta-feira, 2 de julho de 2015

A boa surpresa do dia

Além de estranho, o mundo é um lugar pequeno. Hoje a M.C., que está na Polónia, alertou-me para algo, a partir de um livro que lê sobre uma terra que não conhece mas que, como mulher de bom gosto, a apaixona.

No romance "Arquipélago", do escritor terceirense Joel Neto, a M.C. descobre uma referência a este espaço blogosférico, as Geometrias Variáveis. Pelo que se lê, há, mesmo, quem leia e quem por aqui passe e, pelos vistos, quem valorize os disparates deste vosso escriba. E, mais ainda, quem se inspire com eles*.

Não deixa de ser curioso que os mesmos posts que interessaram ao Joel Neto, já haviam permitido que, por via digital, criasse uma amizade com o Daniel de Sá. Uma honraria e, igualmente, a prova que, com a Internet, o mundo se torna (ainda) mais pequeno.

Se já queria comprar o livro, até pelas boas referências que o mesmo tem tido e pelo facto de a principal personagem ser a minha terra de adopção, aqui está mais um bom argumento.  


O exercício de humor referido é está aqui e é descrito nas páginas 221 e 222 do livro.

* Um bom reforço para escrever mais?...

sábado, 30 de maio de 2015

Super-Heroína

Todos precisamos de heróis. Nem todos os têm na sua vida de todos os dias, à distância de um abraço ou, quando não se está de férias, à distância de um clique. Nós temos. Faz anos hoje. É a mãe. Que me perdoem todas as outras, mas, na minha visão imparcial, é a melhor que existe.

Não tem capa, nem uniforme, nem um livro de banda desenhada que a retrate, mas tem um arsenal inigualável de super-poderes. Sempre os teve, mesmo que, porventura, não acreditasse que os tinha. Agarrou-se a eles, abusou deles, principalmente quando tal parecia mais difícil. Quando os desafios foram maiores. Quando a revolta, a raiva podiam contaminar o amor. Quando ser mãe se tornou mais difícil. Quando a injustiça da existência testou todos os limites e nos levou outro dos heróis cá de casa. Sempre os usou, na medida e altura certa, mesmo que as dúvidas e o medo existissem.

É um exemplo, é o exemplo. De abnegação, generosidade, humildade, espírito de sacrifício, amor. Um oceano de qualidades e um amor incondicional, que nem um verdadeiro Oceano conseguiu desafiar, derrotado por um coração enorme. Por vezes, enorme demais, qual kriptonite, qual dimensão que nos lembra que, afinal, é tão humana como nós. Que nos lembra que, em tanta coisa, é melhor que nós. Que nos realça, como todos os pontos cardeais na nossa existência, aquilo que queremos conseguir vir a ser.

Hoje devia ser feriado. 30 de Maio deveria ser consagrado como o dia dos Nossos Super Heróis. É, de certeza, o dia da minha Super Heroína. Sempre o será.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Das palavras que é uma pena que não sejam usadas mais vezes... - IV

Em conversa com o amigo R. C., com quem partilhei esta minha saga, ocorreram-nos duas palavras que correspondem a algo absolutamente insubstituível em qualquer cozinha. Vá, numa kitchenette também.

Malga e almoçadeira.

domingo, 15 de fevereiro de 2015

O que se aprendeu, hoje, com a Mariana... - LVII

Que a mentira tem perna curta.

Que tentar evangelizar uma filha, sendo de um clube pequeno e pouco popular, assusta o mais temerário dos pais.


Pai de Mariana - Mariana, vou sair para ver o jogo da Académica.

Mariana - Posso ir contigo? Também queria ver o jogo...

Pai de Mariana - Não...

Mariana - Quando chegares dizes-me logo quanto ficou!

(Académica soma o décimo segundo empate; Académica fica nos lugares de descida; Académica faz mais uma exibição sofrível)

(Pai de Mariana regressa a casa)

Mariana - Quanto ficou o jogo?

Pai de Mariana - Ganhámos!

Mariana - Boa!!!

(Vergonha... vergonha...)

(Dez minutos depois, a avó da Mariana liga...)

Avó de Mariana - Filho, quanto ficou o jogo?

Filho da avó de Mariana - Espera... tenho que ir responder à varanda.

Avó de Mariana - Porquê?

Filho da avó da Mariana - Hmmm.... Já explico. (Varanda) Porra. Empatámos, outra vez.

domingo, 8 de fevereiro de 2015

Carnaval (terceirense)


A propósito dos últimos acontecimentos na Saúde em Portugal...

... recauchuto um vídeo que fiz há uns tempos. Como era bom se não fosse (tão) actual.

As Lajes do desencanto (ou o desencanto de um terceirense adoptado com o que tem visto nos últimos tempos)

No próximo cinco de Outubro a minha saga açoriana cumprirá o seu décimo aniversário. O que, na arrogância pueril do controlo sobre o que não é passível de controlo, seria uma espécie de “toca e foge” insular de um par de anos, transformou-se numa relação umbilical com uma ilha, com um arquipélago. Sou terceirense, e defendo esta terra como se de Coimbra se tratasse. Desde muito cedo construí uma relação de amor com Angra do Heroísmo, fascina-me o nascer do Sol no Piquinho, chateia-me Ponta Delgada, mas admiro tudo o que sobra de São Miguel, vejo nas fajãs de São Jorge uma metáfora belíssima e apaixonante, quero ter uma casa nas Flores para a reforma e morar um mês seguido no Corvo antes de morrer (que me perdoem o cliché).

Sinto-me açoriano, com “e” ou “i”, consoante os gostos ou a tendência para a singularidade ortográfica. Quero sê-lo, apesar de tudo, mais tempo. Sinto que o serei, mesmo se a brisa do destino me afaste do Atlântico. Criei raízes aqui, crio uma terceirense feliz todos os dias (que gosta menos de Coimbra do que deveria, para espanto e desgosto da família conimbricense e dos seus pais) que já foi marchante no São João e que, amanhã, sairá num bailinho pelo Norte da Ilha, com um orgulho indirectamente proporcional ao seu tamanho. 

Dez anos depois, há coisas que, por estas terras de bruma, que insisto em não conseguir entender, que insisto em não ser capaz de lidar. Muito daquilo que leio, que vejo e que interpreto da tão propalada, quanto enviesada, questão da Base das Lajes coloca sal na ferida da divergência, da divisão estéril entre ilhas e do auto-flagelo açoriano do umbiguismo territorial, acentuando a derrota da utopia da harmonia regional. (E o que poderiam ser os Açores, se a tivessem…) 

Há dias, na Casa da Académica de Lisboa, procurava explicar aos meus apaniguados académicos o impacto no concelho da Praia da Vitória, na Ilha Terceira e nos Açores do terramoto sócio-económico que se avizinha, a pessoas a quem, tal como eu antes de ter a sorte de ser terceirense, os Açores nunca foram ensinados. O desconhecimento era grande, algo que, apesar de tudo, se compreende, mas a preocupação empática manifestou-se. Alegrou-me, por ser uma manifestação genuína, além da estreiteza dos estereótipo anacrónico e foleiro (confrontar, por favor, a edição do Prós e Contras realizada sobre os Açores, há uns meses, no canal público de televisão).  

Leio muitos jornais, serei dos poucos continentais que faz do Diário Insular, do Açoriano Oriental, da RDP Açores e da RTP Açores um hábito diário (ainda que com uma complacente paciência da Célia), percorro com afinco grupos açorianos pelos meandros do Compêndio das Faces. Muito do que leio aflige-me, atinge-me no patamar da incompreensão, na minha costela enxertada açoriana. O preconceito que brota de algumas palavras, o narcisimo que constato noutras, o egocentrismo insular que radica noutras tantas ou o indecente cavalgar da onda mediática de alguns, insulta a minha alma terceirense e a minha raíz açoriana. 

Há uns tempos, num programa de rádio com a simpática Eduarda Borba, foi-me perguntado, enquanto aprendiz de feiticeiro* continental, se acharia que a vivência insular dos açorianos lhes moldava a personalidade, se haveria alguma característica distintiva. Frisei a resiliência, a força motriz da reconstrução, da sublimação de dificuldades e desafios. 

A estreiteza das percepções, o irromper de velhas querelas mantidas em lume brando  e a limitação evidente da memória entristece e fere o ideal da resiliência. Onde fica a memória da vivência regional, do contributo regional, para o desaparecimento das empresas do cabo submarino no Faial, dos ingleses de Santa Maria, para a decadência da cultura fluorescente da laranja em São Miguel ou para a saída dos franceses da Ilha das Flores, por exemplo, para os imprevistos trágicos da natureza um pouco por todas as ilhas que testam a fibra de um arquipélago que deveria olhar com orgulho para as suas cicatrizes. Que não as deveria transformar em feridas. Que não pode correr o risco de infecção, da amputação que decorre da clivagem. Que não pode canibalizar a solidariedade, a união, a comunidade arquipelágica e que se condena a ser uma caricatura de si mesma, enquanto não o conseguir. A Terceira irá continuar, reinventar-se-á (mais uma vez), doe a quem doer. Como era bom se os Açores, como um todo, também o fizessem. 

Até amanhã, Terceira. Até sempre, Açores.


* Vulgo, psicólogo clínico.

Das palavras que é uma pena que não sejam usadas mais vezes... - I

Ruim.

O meu amor existe

O que se aprendeu, hoje, com a Mariana... - LVI

Que "não há morte para o amor", mesmo.

Que "não há machado que corte a raíz do pensamento", nunca.

Que o orgulho preenche a alma, mesmo quando ela dói. Que o amor sublima a saudade.


Mariana (caminhando, fitando os olhos do avô paterno, numa foto emoldurada que trazia nas mãos): Tenho saudades do pai do pai...

Pai de Mariana (a fazer-se de forte): Como é que podes ter saudades de alguém que não conheces?

Mariana: Mas tenho. Tens saudades do teu pai?

Pai de Mariana: Sim. Muitas.

Mariana: Mesmo sem o ter conhecido ele pode ser meu avô na mesma?

Pai de Mariana (a fazer-se de forte): Sim. Claro que sim.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

O que se aprendeu, hoje, com a Mariana... - LV

Que os pais são, sadiamente, acometidos de ataques de inimputabilidade recorrentes, ainda que de curta duração.

Que não aprendem puto com os mesmos.

Mariana (que fez cinco anos há um mês e pouco): sabias que eu, quando ainda tinha quatro anos, e dizia que me tinha portado bem na escola, às vezes só me tinha portado mais ou menos bem?

Pai de Mariana (em pensamento): És mesmo estúpido.

Pai de Mariana: Não há problema... E agora ainda fazes a mesma coisa?

Mariana: Agora que já tenho cinco anos, já não!

Pai de Mariana (em pensamento): Posso ficar descansado...

sábado, 3 de janeiro de 2015

365 oportunidades

Que seja um ano de 2015 muito bom, é o meu desejo.

Que "amor", "felicidade", "partilha" e "comunidade" sejam escolhidas como as palavras do ano, daqui a 365 dias, daqui a 365 oportunidades de fazer melhor.