terça-feira, 6 de outubro de 2015

O que se aprendeu, hoje, com a Mariana... - LXIII

Que a Mariana é uma visionária em matéria de política eleitoral.

Que a Princesa está a (re)criar os alicerces da democracia, instituindo os círculos uninomais (do coração).

Que há maiorias absolutas no coração da Princesa que não são contrariadas por qualquer moção de censura. Venham de onde vierem.

Mariana: O que é votar?

Pais de Mariana: É escolher quem é que queremos que nos represente, que tome decisões por nós. Estão nomes escritos numa folha e escolhemos as pessoas que merecem a nossa confiança.

Mariana: Mamã, escolheste a Tia L.*, não escolheste?

* Que, não sendo candidata a nenhum lugar elegível nas Legislativas, é uma das pessoas que têm maioria absoluta no coração da Princesa. Que, não sendo tia de sangue, é uma das boas tias do coração que a Princesa tem, na sua vida.

domingo, 4 de outubro de 2015

"Saúde e democracia"

"Saúde e Democracia". Era assim que, no período pós 25 de Abril, acabavam as cartas de um dos meus avôs, operário fabril, hábil serralheiro na Fábrica da Cerveja. Nestes dias, em que procuro ensinar à Mariana a importância do voto*, não consigo deixar de lembrar nessas palavras manuscritas, encontradas em cartas antigas junto a cartazes, com letras desenhadas a caneta de feltro, que nunca chegaram a agitar os trabalhadores, em tempos em que agitar se tinha tornado possível e, sadiamente, obrigatório.

Nestes dias, lembro-me dos meus outros avós, os da aldeia, aperaltados, como se fosse Domingo de Páscoa, dirigindo-se, em conjunto, à assembleia de voto, num ritual solene, quase religioso. Lembro-me deles. Lembro-me da sua consciência da importância do voto e imagino, sem saber o que seria, o que seria querer e não poder participar, dar a sua opinião e contribuir para a construção democrática do país que é seu.

E sinto-me (ainda mais) obrigado a ensinar à Mariana a importância destes dias, a educá-la para a sociedade democrática para que ela não seja uma das pessoas que não vota. Aquelas a quem o meu avô, do alto do seu fato e gravata e cabelo aprumado, diria das boas, nestes dias. E faria bem. Muito bem.

*Tendo a Mariana questionado se a sua mãe teria votado na sua Tia L. "Votaste na Tia L., não votaste, mamã?"